domingo, 17 de junho de 2012

Não sei o que me leva a escrever mais uma linha se quer sobre você. Qualquer um gostaria de ler textos que são para si, mas você mais uma vez teve de ser diferente. Nunca gostou de minha literatura, dizia ter lágrimas demais entre minhas vírgulas. Então, resolvi fazer diferente, resolvi escrever para que tenha lágrimas em seus olhos, lágrimas de arrependimento, de tristeza e de saber que não vamos nunca mais ser como antes e por mais que você queira mudar e ainda assim, por mais que eu te ame, por mais que eu precise de você, sabemos que não teremos mais nenhuma história de nós dois juntos, ou separados, porque agora, quem desistiu de amar fui eu, quem cansou de estimar um sentimento que não se é retribuído foi eu.
É quase inverno, digo quase porque é o que se diz no jornal, dizem que o inverno só tem o seu começo reconhecido oficialmente no dia 20, e ainda é dia 16, tenho mais quatro dias de dias indefinidos, de temperaturas amenas, mas que ainda não é frio, não é inverno. Seria clichê usar que dentro de mim o inverno já começou faz tempo, então irei ser mais atual, e fugir um pouco desse clichê (que cá entre nós não faz ninguém ser escritor), irei falar que estou indefinida por dentro, às vezes amena e às vezes quente demais. Talvez faltem quatro dias para o inverno começar em mim, ou talvez eu fique nessa coisa indefinida até não sei quando, até não sei onde. Mas com você tudo era verão, não sei se era esse teu calor tropical ou o brilho solar de seus olhos que me faziam ser mais quente, mais humana. Era como se o sol de todas as manhãs amanhecesse ao meu lado. Tínhamos uma rotina que te cansou. Tínhamos um amor que para você foi pouco, ou talvez demais, não sei. Tínhamos… Verbo que machuca conjugado no passado. Fazem seis meses que não temos nada, e fazem seis meses que escrevo sobre e para você, fazem seis meses que dói em mim, uma dor que um dia minha mãe disse ter sentido e que não desejaria nem para o seu maior inimigo. Fazem seis meses que escuto você pedindo para que eu pare de escrever sobre você ou para você; o que te torna ainda mais estranho, porque qualquer um gostaria de ter um livro inteiro dedicado, e não ache que é por minha literatura, mas é só pelo fato que alguém ser pateticamente masoquista de dedicar o seu tempo, amor, vida e todas as coisas que é preciso para escrever para alguém. Qualquer pessoa gostaria de ter um livro, mesmo que seja de raiva, amor ou qualquer coisinha, dedicado. Porque qual ser humano em sã consciência não gostaria de ter um motivo ainda maior do que a própria existência para inflar o ego?
Concordo que minhas vírgulas são encharcadas pelas minhas lágrimas, mas agora, o que irá ser encharcada serão os seus olhos, porque eu sempre escrevi sobre a dor que você causou em mim não sobre uma possível dor que eu também sei causar e sou capaz. Você e todos os nossos amigos sabem que não deveria ser assim, se tivéssemos sido um pouco mais clichê, talvez, não sei, quem sabe ainda estivéssemos compartilhando de uma mesma cama, de um mesmo amor? Mas não foi assim, você quis um ponto final, e eu quis escrever mais um capitulo sobre nós. Mas você se esqueceu, que antes toda essa dor que eu sinto, você sentia. Você chorava comigo, você se reerguia sobre mim. Você era como uma dessas crianças birrentas que choram por causa do brinquedo quebrado e alguém tinha que fazer algo para consertar isso. Naquela época dentro de mim era primavera, eu era florida, não tinha grandes dores, só aquelas dos passados, nas quais sabemos que nunca irão nos deixar; mas eu não sei o por quê, eu quis cuidar do seu inverno, quis fazer algo aí dentro de você florir, algo aí em você deixar de sangrar. E eu consegui não foi? Te pus em meus braços e conforte-o como um adulto faz com a criança que cessa um soluço continuo. Você então me apresentou o verão, eu te apresentei o verão. Éramos solares, até mesmo durante a noite. Será que se lembraria quando eu fui viajar e ficamos conversando até minutos antes de eu sair com minha mãe de carro? Sei que não se lembra, sua memória só funciona para aquilo que lhe convém, você só sorri para aqueles que lhe convêm. Mas eu lembro, como fosse ontem, você falando para me acalmar, pois sabia que eu tinha medo de pegar a estrada. Foi o pior erro. Aquela noite, ou viagem nunca deveria ter ocorrido, pois foi a primeira vez que nós falamos sobre o amor um pelo o outro. Sorri. Guardei as lágrimas de felicidade para depois, após desligar o telefone. Preferi escutar sua voz baixinha mais um pouco. Zarpei para a viagem com sua voz martelando meus ouvidos, a imagem do seu sorriso formando, como se fosse um esboço no vidro embaçado do carro. Erramos em nos amar. Errei em amar-te, porém não me arrependo, porque eu aprendi algo com você, aprendi que nem basta o amor e que talvez nem para todos eu seja suficiente. Sei que sempre vai ter o meu melhor amigo ali para me escutar chorar sobre você, e acredite para ele eu serei suficiente. Sempre vou me olhar no espelho e tentar acha algum defeito físico em mim, no qual tenha feito você não ter me achado boa o suficiente para você, mas no espelho eu não irei achar nada, porque o problema dessa vez não foi eu.
O problema, o grande, dessa vez foi você e essa sua forma egoísta de gritar que o amor é apenas amor. O problema foi você, querido. Foi deixar esse seu vazio ser maior, foi esse medo do verão e essa segurança que você sente no inverno. Você errou quando disse que me amou apenas por carência e depois se arrependeu. Você errou ao me deixar ir embora, como está deixando agora e por não ter dado nem um pouco de valor para as minhas vírgulas chorosas e meus parágrafos de amor para e sobre você. Você errou, quando eu disse que em mim doía à dor do amor, do meu amor por você e você correu para os braços de outra pessoa. Você errou comigo, e eu não digo sou alguém que tenha que se ver livre das pessoas errando, mas você errou de um jeito tão egoísta, medíocre e qualquer outro adjetivo que agora me fogem, que foi o pior que você poderia ter cometido, porque agora toda aquela admiração esta se esvaindo. E se eu falasse que odeio você estaria mentindo para mim e até mesmo para você, porque você sabe que eu irei te amar até Deus sabe onde, mas agora, eu cansei. Cansei do meio termo, quero inverno ou verão, não quero quatro dias antes o invernou quatro dias antes do verão. Agora eu cansei de você, sempre vindo reclamar comigo sobre aquilo que eu não faço para te ter, porque você é sempre assim, sempre diz que eu não faço nada para ser como éramos antes, e até semana você estaria errado, porque eu sempre fazia tudo, sempre me atirava no chão para que você pudesse passar, mas se agora você me disser isso, eu irei ter uma resposta na ponta da língua, irei dizer que não faço mais nada para ser como éramos antes, porque tudo que fomos, para você não teve tamanha importância, porque tudo aquilo que éramos não vai voltar nem que eu peça a Deus de joelhos, sabe por que? Porque eu cansei de rastejar essa dor por toda parte que eu vou e de levar em meus olhos a imagem desse teu sorriso.
Porque agora, não é mais inverno e nem verão dentro de mim, muito menos primavera. Agora é outono, a estação onde as folhas caem, onde as pessoas mudam e eu estou mudando. Quatro dias para o inverno, os jornais dizem e eu espero que em você, esteja tudo florido, porque mesmo indo embora, eu ainda espero que fique bem.

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